CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1971

A mensagem de reconciliação assume o entendimento de que o perdão ao outro é mais urgente que a oferta no altar. Durante esse tempo, cantou-se: “Não basta sete vezes perdoar/ mas, setenta vezes sete, sem contar”. (Mt 18,21). Ensina-se que a capacidade de perdoar não tem limites e que o perdão é uma atitude política que pressupõe conversão e transformação.

Este é um difícil momento político. Na pauta das discussões está a Lei de Reforma da Educação Brasileira que objetiva formar cidadãos dóceis ao regime político vigente. As forças de resistência parecem quase vencidas. Em resposta, a Igreja lança mão de uma outra estratégia de evangelização: reforçar valores éticos também no espaço escolar.

 

Carta de Sua Santidade o Papa Paulo VI

 

Amados filhos do Brasil:

Com alegria vos falamos, através desta cadeia televisiva, que atesta o vosso progresso tecnológico, depois que o último censo nacional confirmou, serdes em número, um dos maiores países do mundo.

Nesta hora, porém, a Campanha da Fraternidade, que parte para mais uma arrancada, entende interpelar cada brasileiro, herdeiro da longa e gloriosa tradição cristã.

Portanto, só uma vida plenamente humana para todos, baseada na verdade, na justiça e na paz, iluminada pelo amor que Cristo nos ensinou, consolidará a prosperidade comum, em que todos os cidadãos têm a sua quota-parte, como direito e como dever.

A Igreja “não deixa de esperar num mundo mais fraterno”. Para isso, ouvindo a sua voz, temos de percorrer, entre outros, o caminho da reconciliação: reconciliar-nos com Deus, pela fé, e com todos aqueles com que o Cristo das bem-aventuranças quis identificar-se, pelo amor. E isto, confortados sempre pela esperança no Cristo da Reconciliação final de todas as coisas em Si, que nos dirá: “o que fizestes a um destes meus irmãos, mais pequeninos, a Mim o fizestes”.

Em particular, reconciliamo-nos com os que não sabem ler nem escrever e não possuem a consciência da própria dignidade de homens e de filhos de Deus. Nada aproveita deter-se a perguntar de quem é a culpa: se deles mesmos, se das condições adversas em que transcorre a sua vida. Eles são aos milhões, ao nosso lado.

Sejamos generosos, pela única maneira eficaz de os ajudar: alfabetizando-os, conscientizando‑os, com espírito evangélico.

Cada um, isolado, poderá fazer pouco; mas, todos unidos, confiantes em Deus e movidos pelo amor cristão, empenhados nesta causa grandiosa, faremos muito.

Eis o chamamento que vos faz a Igreja, por Nós, quando vos convoca para mais uma etapa da Campanha da Fraternidade.