CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1975

O objetivo geral: A fraternidade entre os brasileiros, desde os que convivem na mesma comunidade local, até os distantes, dos quais conhecemos só as carências. Esta fraternidade deriva do amor a Deus, Pai comum, e do exemplo heroico de Cristo, morto por todos. Trata-se de uma fraternidade afetiva e efetiva, que terá inúmeras formas de expressão, mas que deverá levar a atitudes concretas e sinceras. Fraternidade é repartir.

A Comunidade e a fraternidade, afetiva e efetiva, devem expressar-se em atitudes que superem as carências. Assim, vemos o modelo de Igreja serva continua presente e começa a ser levado em consideração o modelo de Igreja comunidade, preparando caminho para a Campanha de 1976.

Dar e receber. O pensamento “ninguém e tão pobre que não tenha algo a repartir e ninguém é tão rico que não precise de algo” resume bem o conteúdo da CF de 1975.

 

Carta de Sua Santidade o Papa Paulo VI

Caríssimos filhos e filhas:

“Pobres sempre os tereis convosco” (Jo 12,8). Estas palavras de Cristo aos Apóstolos encerram um profundo significado. Parece quase poderem interpretar-se como se os esforços da caridade cristã e da justiça humana estivessem destinados a ficar sempre baldados. E um relance global sobre o panorama dos nossos tempos, não parecerá confirmar isso mesmo? Apesar de se nos afigurar que dispomos de todos os meios de combater a pobreza, continuamos a ouvir ¡notícias de guerras, de carestias e de desolações. Mas, para um cristão, o fato de tais situações se repetirem continuamente não significa que elas sejam inelutáveis. Antes, pelo contrário, o cristão entende as palavras de Cristo no sentido de que nenhum dos seus seguidores pode ignorar o fato de que o próprio Jesus se identificou com os pobres. Até o fim dos tempos, os pobres estarão “com” Jesus. Eles são os seus parceiros, os secos companheiros, seus irmãos e irmãs. O cristão, precisamente por ser cristão, deve colocar-se ao lado dos desprovidos. Deve pôr o melhor do seu empenho em assisti-los nas suas necessidades mais urgentes. Não pode fugir de comprometer-se para os ajudar pelos meios ao seu alcance, para a edificação de um mundo melhor, de um mundo mais justo.

A Quaresma é um tempo muito propício para este exercício da abnegação, porque recorda aos cristãos quem eles são. Põe-nos de sobreaviso contra o sentir-se satisfeito em levar uma existência cômoda e contra a tentação de viver na opulência. Neste Ano Santo, que é dedicado ‘a reconciliação, todos e cada um hão de sentir-se interpelados por aquilo que a mesma reconciliação implica: dar e compartir no seio da família humana. Efetivamente, se cada um procurar que os seus irmãos e irmp2s possam entrar a ter parte na própria vida, se compartilhar com eles os próprios bens, e não apenas as sobras, terá superado os múltiplos obstáculos que se opõem à reconciliação e chegará através do desapego à renovação.

Este Ano do jubileu exige de nós um testemunho de total solidariedade coai aqueles com os quais Cristo, de modo particular, quis identificar-se. Isso constituirá uma das provas mais significativas que podemos dar aos nossos irmãos e irmãs para demonstrar que este ano é “santo” para todos os homens.

Sim: é isto precisamente o que vos pedimos hoje, ao iniciar-se a Quaresma, uma solidariedade autêntica, uma solidariedade concreta, com os pobres de Cristo,

e pedímo-lo em nome do Senhor Jesus.