CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1978

O objetivo geral:

Esta Campanha inaugurou a era do Texto-base e o método Ver-Julgar-Agir,[1] com a finalidade de provocar muitos e salutares gestos concretos. A coleta financeira passou a ser preparada e realizada, como uma nova e permanente atitude de caridade, solidariedade e justiça. A coleta foi destinada para a promoção do trabalhador. Esta Campanha também foi um esforço para reanimar a Pastoral do mundo do Trabalho.

A partir dessa Campanha, a CNBB passa a contar com a participação de peritos e agentes de pastoral num seminário que segue o método Ver-Julgar-Agir para elaborar o texto-base da Campanha da fraternidade, que passa a ser o instrumento para a elaboração de todos os subsídios.

 

Carta de sua Santidade o Papa Paulo VI

Amados Irmãos e irmãs:

Mais uma Campanha da Fraternidade se abre no Brasil, com a Quaresma, “tempo favorável” para atender melhor ao amor de Deus, Pai solícito, e ao amor dos homens-irmãos, que devem formar uma só família.

Impressiona a vivência de tal amor na Igreja primitiva: “como uma só alma e um só coração” (At 4,32), os fiéis, amando a Deus — dizemos na Mensagem a toda a Igreja para esta Quaresma —espontaneamente observam o princípio: “os bens deste mundo estão destinados pelo Criador para satisfazer as necessidades de todos”.

Nós somos estafetas da “luz” do mesmo amor, para os homens de hoje, “todos destinados a participar do Ministério da Cruz e da Ressurreição de Cristo”; eles esperam, em apelos prementes, pelo “testemunho”, a fim de que, “vendo as nossas boas obras, glorifiquem o Pai que está no céu” (Mt 5,16), pela descoberta de Cristo, no autêntico amor fraterno.

Tais apelos prementes se elevam também, característico “sinal dos tempos”, do mundo do trabalho. Bem se andou, pois, em dar à Campanha deste ano como tema, a FRATERNIDADE NO MUNDO DO TRABALHO, como o mote “trabalho e justiça para todos”.

Sim: é impressionante, hoje, o número dos sem-trabalho e o daqueles que, trabalhando, sofrem por falta de justiça.

Por quê? — Ao buscar uma resposta, um elemento nos parece sobrepujar os demais: pela falta do sentido de Deus, que “é amor”, e consequente precariedade do amor humano, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama… conhece a Deus” (1 Jo 4,7). Depois, sabemo-lo, a justiça só pode prosperar numa atmosfera de amor, a ditar a participação, a compartilha fraterna e a construção de um mundo mais humano e conforme aos desígnios do Criador.

Que para isto seja frutuosa vossa Campanha da Fraternidade, com as graças divinas que imploramos, ao abençoar-vos a todos,

em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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[1] A Ação Católica desenvolveu o método Ver-Julgar-Agir, uma maneira nova de considerar e experimentar a ação de Deus na história. Inicialmente, é necessário ver a realidade do povo e os seus problemas. Em seguida, a partir de textos bíblicos, realiza o julgar da situação, de modo que deus se comunica a partir dos fatos iluminados pela sagrada escritura. Esta comunicação pelo fatos faz com que as pessoas possam agir de maneira nova.