CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1981

O objetivo geral:

“Todo empenho na melhoria das condições de saúde do povo, que se pode traduzir em múltiplas e generosas ações pessoais e comunitárias de pequeno ou grande alcance, deve estar orientado para:

1 – Aprimoramento da organização política do país com o objetivo de permitir a livre expressão dos interesses e necessidades de todos os grupos sociais;

2 – A distribuição equitativa dos benefícios econômicos decorrentes do desenvolvimento do país;

3 – A melhora das condições de vida e trabalho, compreendendo-se aqui, em primeiro lugar, o atendimento às necessidades básicas de alimentação, habitação, vestuário, educação, higiene, transporte e segurança;

4 – A ampliação dos serviços de saúde e a correção de suas distorções, no sentido de uma adaptação às necessidades prioritárias da maioria da população. Para tanto, são indispensáveis: participação real do povo – segundo as formas convenientes e as instâncias devidas – no planejamento, administração e execução das políticas oficiais de saúde em nível nacional, estadual e municipal; a valorização efetiva dos recursos locais disponíveis na busca de solução para os problemas de saúde das comunidades; a hierarquização mais racional e justa na destinação dos recursos públicos para a saúde, privilegiando a assistência preventiva sobre a curativa; a reorientação da Central de Medicamentos, visando a uma solução para o problema dos remédios necessários à grande maioria do povo”.

A CF de 1981 denuncia o descaso com que a população pobre é tratada na área de saúde no Brasil. Um dos elementos marcantes desta campanha foi analisar e refletir a saúde a partir de uma conjuntura maior que implica na discussão da democracia participativa, da justiça social, da discussão sobre a qualidade de vida e algumas questões mais concretas como transporte, segurança e lazer.

 

Carta de Sua Santidade o Papa João Paulo II

Amadíssimos Irmãos e Irmãs:

Abre-se hoje mais uma Campanha da Fraternidade no Brasil. Estão vivas ainda no meu espírito, em saudade, as imagens — sobretudo dos queridos jovens — a chamarem ao Papa seu irmão, quando visitava o vosso País. Isso dava a entender que os brasileiros se sentem irmãos entre si. A fraternidade, porém, é algo vivo, a ser feito continuamente. Donde, a oportunidade desta Campanha, cujo “slogan” me sirvo para vos saudar cordialmente: “SAÚDE PARA TODOS”, com graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!

A boa saúde, sabemo-lo, não é apenas ausência de doenças: é vida plenamente vivida, em todas as suas dimensões, pessoais e sociais. Como o contrário, a falta de saúde, não é só a presença da dor ou do mal físico. Há tantos nossos irmãos enfermos, por causas inevitáveis ou evitáveis, a sofrer, paralisados, “à beira do caminho”, à espera da misericórdia do próximo, sem a qual jamais poderão superar o estado de “semimortos”… (cf. Lc 10,33ss)

À luz da fé, toda a dor tem sentido; ela pode mesmo servir para completar “o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (cf. Cl 1,24). Em cada homem que sofre é presente, de algum modo, o mistério da morte e ressurreição do Senhor. No entanto, a saúde é direito e dever para todos.

No seu empenho por viver bem, com saúde, todo o homem se dá conta das próprias limitações, transitoriedade, ilusões e ambiguidades; e descobre precisar dos outros, da “misericórdia” do próximo. E talvez dolente se interrogue; “E quem é o meu próximo?”

“E quem é o meu próximo?” — Olhai, Irmãos e Irmãs: a resposta é avalizada por Cristo Senhor: “aquele que usa de misericórdia “, à imagem do Bom Samaritano, à imagem de Deus, “rico em misericórdia”.

Cristo nos chama e nossos irmãos aguardam!