CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1989

O objetivo geral:

Despertar a consciência crítica do receptor no uso da mídia, como atitude interior necessária para a comunicação da verdade e da paz. Quer também conscientizar os receptores sobre seu papel de agentes de influência na orientação de programas nos meios de comunicação.

 

Carta de Sua Santidade o Papa João Paulo II

Irmãos e Irmãs em Cristo e amados Brasileiros:

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Mais urna vez me é grato comunicar, através do rádio e da televisão, com o dileto Povo brasileiro, na abertura da nova Campanha da Fraternidade, este ano com o tema: “a Comunicação Social”. Entrando nas vossas casas e nos locais de vosso encontro e comunicação, saúdo a todos, segundo o lema da Campanha: “a Verdade e a Paz” estejam convosco!

Equivale a dizer, antes de mais, que esteja convosco Jesus Cristo, o qual veio dar testemunho da verdade e nos disse: “Eu sou … a Verdade” (]o 14,6). Como “Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5), Ele nos reconciliou com o mesmo Deus e nos deixou a mensagens de reconciliação uns com os outros; e, “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8,29), constituiu-nos na liberdade de filhos de Deus e proclamou-nos todos irmãos: “Ele é a nossa Paz” (Ef 2,14).

Começa a Quaresma, tempo penitencial, em preparação da Páscoa: vamos celebrar a Salvação, que nos veio pela vida, morte e ressurreição do Senhor. Neste mistério pascal nós fomos introduzidos pelo Batismo, quando fomos libertados do pecado e enriquecidos com a graça e o Dom do Espírito da verdade; quando renunciamos às obras contrárias à luz e à paz com Deus e com os outros, obras que provêm sobretudo do Maligno. Ele é o príncipe das trevas e o pai da mentira, na qual se originara o desamor, as contendas e as guerras (cf. Tg 3,14).

Pelo Batismo, ainda, entramos na Igreja peregrina, a qual, em continuidade com a Igreja do Pentecostes, incumbe o mandato: “Ide por todo o mundo e pregai a Boa Nova a toda criatura” (Mc 1,15).

Entre este mandato de evangelizar — “fazer discípulos de todas as nações” — e a comunicação social, há um apelo recíproco, convergindo no homem e na sua salvação.

A Igreja tenha cada vez mais consciência da importância da comunicação social; ela deseja evangelizar os modos de as pessoas se relacionarem e permutarem experiências, valores e ideias; deseja levar o “fermento” do Reino à “produção” dos maravilhosos meios de comunicar, que caracterizam o nosso tempo, os quais, por vezes, privilegiam o imediatismo à reflexão.

A Comunicação Social representa um dos bens de maior consumo; e o seu controle desperta a cobiça do poder, do ter e do prazer da sabedoria terrena, contraposta à sabedoria que vem do Alto (cf. Tg 3,15). E sucede que, para sobreviverem, empresas de comunicação passam a incentivar padrões de comportamento que perturbam a ordem na sociedade, nomeadamente a violência, o erotismo e o consumismo.

Solícita pelo bem dos homens e dos povos, a Igreja lembra aos empresários, profissionais da comunicação social e a todos os comunicadores que atendam à grave responsabilidade da inversão de valores, que incide negativamente no tecido diversificado da sociedade; aponta-lhes a solidariedade e a fraternidade como condição para todos os homens usufruírem dos bens da verdade e da paz; diz-lhes que estas assentam em princípios basilares de comportamento que salvaguardem o respeito pelo outro, o senso do diálogo, a justiça, a ética correta da vida pessoal, profissional e comunitária, a liberdade e dignidade da pessoa humana e a sua capacidade de participação e de partilha com os demais.

Onde faltar a verdade no reconhecimento dos direitos à informação, à opinião, ao pluralismo cultural e à livre iniciativa, e à verdade na observância dos deveres correlativos, a paz começa a estar ameaçada. A paz autêntica não é somente a ausência de guerra; mas é “obra da justiça” (Is 32,7), pela qual anelam os homens: é algo que deve estar constantemente a ser construído.

E como a vontade dos homens é fraca e ferida pelo pecado, a paz exige um esforço contínuo de conversão das mentes e dos corações para os autênticos valores humanos. No caso dos cristãos, é a “penitência e acreditar no Evangelho” (Mc 1,15), que há de levá-los a viver; testemunhar e anunciar a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre (cf. Hb 13,8).

Só com corações convertidos se modificarão os ambientes onde coexistem liberdade e medo, ciência e analfabetismo, abundância e miséria, consumismo e condições subumanas, para aí eclodir a fraternidade.

Implorando o Espírito da verdade, em especial para a missão da Igreja no Brasil, a fim de que aí se afirme uma Comunicação Social a serviço da verdade e da justiça, que frutifiquem em paz na pátria e coração de cada brasileiro, a todos abençoo,

em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.