CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1992

O objetivo geral:

Que a Igreja e as pessoas de boa vontade se comprometam com a juventude, como agentes de uma nova evangelização e como força transformadora da Igreja e da sociedade.

 

Carta de Sua Santidade o Papa João Paulo II

Queridos brasileiros!

Irmãos e irmãs:

Hoje, com a Quaresma, a Igreja inicia um tempo de penitência e de reconciliação, para que todos os cristãos caminhem, à luz do Ministério Pascal, no sentido da vida com a esperança de feliz ressurreição no Reino dos Céus.

Ao mesmo tempo, é já tradicional nesta data o lançamento da Campanha da Fraternidade, cujo tema proposto este ano pela CNBB leva como título: Juventude — Caminho Aberto. É com particular satisfação que me dirijo desta vez aos queridos jovens, pois conservo ainda no meu espírito as emoções, as palavras e os gestos de todos, sobretudo dessa mocidade que encontrei na minha Viagem Pastoral realizada no ano passado, e não cesso de dar graças a Deus pelos abundantes frutos alcançados.

A vocês, queridos jovens, fala hoje a Igreja: fala à juventude que caminha e é caminho.

O Papa gostaria de falar pessoalmente com cada rapaz e com cada moça desse querido Brasil, para dizer, e quase revelar a vocês, o imenso potencial de que são portadores. A todos vocês que vivem na cidade ou no campo e são de raças distintas, quero recordar-lhes a justa e exigente aspiração pelos grandes valores que Deus colocou no coração de vocês: são amantes da liberdade e do que é justo e verdadeiro; anseiam pela paz e pela solidariedade entre os homens; exigem, justamente, o respeito pelo que é digno e nobre; sonham também realizar-se na vida, nos estudos e na profissão e, se Deus o permitir, realizar a vocação a que foram chamados para dar continuidade a essas santas e nobres aspirações. Mas, acima de tudo, vejo palpitar nos corações de vocês essa sede de infinito que só será saciada se souberem encontrar o Deus que se fez Homem para nos redimir: esse “Jesus que nos dá a certeza de que ele continua fazendo história conosco e que a cruz não é o fim, mas o caminho da vitória para os que o seguem”.

Meus caros jovens, permitam-me que insista: penso que Cristo tenha simplesmente algo mais para dizer ao homem, e particularmente a vocês. As Suas, “são palavras de vida”. Elas estão cheias de simplicidade, esperando a correspondência do homem. Pode ser que vocês percebam outra vez a verdade e a força que elas têm, e precisamente que são palavras “de vida”, enquanto que as outras, nascidas da mentira, do egoísmo e da ambição desmedida, trazem em si mesmas os germes do pecado e “da morte”.

De alguma maneira, Jesus falava a todos os homens, mas especialmente a vocês, quando, como nos relata São Lucas, detendo um cortejo fúnebre, disse ao jovem que estava para ser enterrado: “Jovem, eu te digo, levanta-te” (Lc 7, 11).

Levantem-se do estado em que se encontram; lembrem-se que em Jesus “está a Verdade sem sombra de mentira, n’Ele o caminho claro e sem desvios, n’Ele está a Vida (cf. Jo 14,6)” (Discurso aos jovens em Cuiabá, 16.10.91). Que busquem a Cristo e, ao encontrá-lo amem-no! Sejam fiéis, não se desviem.

Ouçam mais uma vez a exclamação de São Pedro: “Só Tu tens palavras de vida eterna!” (Jo 6,68). Que a Ressurreição de Cristo, seja também a luz e a força da ressurreição de vocês. O Senhor, do alto da Cruz, diz a vocês: “Levantem-se”.

A estes jovens que caminham, não é possível não amá-los, pois eles são também caminho; portadores de imensos valores, seiva fecunda da humanidade no terceiro milênio que deve ser orientada e amparada.

A eles e por eles, devem dirigir-se todos os esforços e iniciativas da Pastoral da Juventude, ajudando-os a descobrirem a grandeza da fé, com uma adequada formação doutrinal e humana através de uma catequese que ensine a Verdade revelada e suas consequências no campo da moral católica, e a participação na edificação da sociedade civil. A Pastoral da Juventude, respeitando as iniciativas de outros Movimentos e Associações eclesiais de jovens, é sem dúvida um importante foco irradiante de luz para uma adequada evangelização.

Meus caros jovens, termino renovando aquele apelo que fiz a vocês no ano passado em Cuiabá: “Ofereçam a Jesus seus corações abertos de par em par! Abram confiadamente as almas aos tesouros da verdade cristã! Busquem com empenho uma formação que leve ao amadurecimento da fé!” (Discurso em Cuiabá, 16.10.91)

A Igreja fez a opção preferencial pelos jovens de todas as condições sociais, mas especialmente pelos que sofrem porque desconhecem a verdade e caminham desorientados pelas entradas da vida; pelos abandonados e os que padecem diante das injustiças humanas; pelos doentes — para que não se desesperem, pois o Senhor está mais perto dos que sofrem com santa resignação. A vocês, e a muitos outros, quero dizer-vos:

“Jovem, eu te digo, levanta-te!” (Lc 7,11)

A todos os brasileiros, e especialmente às moças e aos rapazes dessa querida Nação abençoo com particular afeto,

em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.