CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1999

O objetivo geral:

Contribuir para que a comunidade eclesial e a sociedade se sensibilizem com a grave situação dos desempregados, conheçam as causas e as articulações que a geram e as consequências que dela decorrem; Denunciar, consequentemente, modelos sócio-político-econômicos, tais como certas formas de neoliberalismo sem freios éticos, que causam desemprego quer estrutural quer não estrutural e, igualmente, impõem padrões de consumo insaciável e exacerbem a competição e o individualismo; Anunciar uma sociedade baseada em novos paradigmas, onde a pessoa humana seja o centro, a vida não se subordine à lógica econômica idolátrica e o trabalho não se reduza à mera sobrevivência, mas promova a vida, em todas as suas dimensões; Abrir, assim, perspectivas sobre novas relações e novas formas de trabalho prenunciadas para o Novo Milênio; Incentivar amplo movimento de solidariedade para manter viva a esperança dos que enfrentam diretamente o problema do desemprego, promovendo iniciativas concretas de geração de trabalho e renda, no paradigma da solidariedade cristã; Mobilizar a própria Igreja para se colocar mais ainda profeticamente a favor da justiça e da solidariedade, principalmente em relação aos desempregados e às desempregadas.

 

Carta de Sua Santidade o Papa João Paulo II

Caríssimos Irmãos e Irmãs do Brasil:

«O Reino dos céus é semelhante a um pai de família que, ao romper da manhã, saiu a contratar operários para a sua vinha» (Mt 20,1).

  1. Com estas palavras da Sagrada Escritura, desejo unir-me a toda a Igreja que está no Brasil, para dar início à Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema: «A Fraternidade e o Desemprego». Caminhamos decididamente em direção ao Jubileu do Ano 2000 e, nesta perspectiva, volto a «afirmar que o empenho pela justiça e pela paz num mundo como o nosso, marcado por tantos conflitos e por intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, é um aspecto qualificante da preparação e da celebração do Jubileu» (TMA, 51).
  2. Certamente, poder trabalhar na vinha do Senhor é um dom divino. Esta visão da posse definitiva do Reino celestial, apresentada na parábola dos operários da vinha, não exclui, antes reforça a necessidade de compreender o direito ao trabalho neste mundo. A Quaresma, como momento forte de conversão a Deus, mediante a penitência e a oração, é ocasião de reflexão e de propósitos para que todos os homens e mulheres de boa vontade se sintam protagonistas «da “civilização do amor” fundada sobre os valores universais de paz, solidariedade, justiça e liberdade, que encontrem em Cristo a sua plena atuação» (TMA, 52). O pão é «fruto da terra e do trabalho do homem», mas o fenômeno mundial desconcertante do desemprego e do subemprego, deve interpelar cada vez mais a consciência de todos os cristãos, diante da angustiosa questão proposta pela Campanha da Fraternidade: «Sem trabalho… por quê?» (cf. Sollicitudo rei socialis, 18).
  3. Ao fazer votos por que não se deixem de empregar todos os meios disponíveis, já sugeridos por mim, para aliviar o drama do desemprego, na celebração do Dia Mundial da Paz deste ano (cf. n. 8), invoco abundantes luzes do Alto e a bênção para todos os que me escutam.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!