CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2006

O objetivo geral:

Conhecer melhor a realidade das pessoas com deficiência e refletir sobre a sua situação, à luz da Palavra de Deus e da ética cristã, para suscitar maior fraternidade e solidariedade em relação as pessoas com deficiência, promovendo sua dignidade e seus direitos.

 

Carta de Sua Eminência o Cardeal Angelo Sodano
Secretário de Estado

Eminência Reverendíssima
Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Presidente da CNBB
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

O Santo Padre acolheu com vivo apreço o pedido de uma Mensagem por ocasião da Campanha da Fraternidade de 2006, confiando-me o grato encargo de Lhe servir de intérprete por este significativo evento para a Igreja no Brasil, mediante as palavras abaixo transcritas:

“Sua Santidade o Papa Bento XVI deseja saudar, com sentimentos de viva cordialidade, o Senhor Arcebispo e a Igreja que está no Brasil, para manifestar a Sua presença espiritual e afetiva por ocasião do início da Campanha da Fraternidade de 2006.

Este ano o tema proposto “Fraternidade e pessoas com deficiência”, com o lema: “levanta-te, vem para o meio” (Mc 3,3), assume um caráter de reflexão e de estímulo para renovar, com mais força, o mandamento da caridade, especialmente por aqueles que sofrem algum tipo de deficiência. Nas Audiências gerais das quartas-feiras, o Santo Padre louva a Deus pela presença daqueles peregrinos que padecem com fé e santa resignação estas provações permitidas por Deus, e assegura levar sempre no coração aqueles que carecem, muitas vezes, de afeto e de acompanhamento por parte da sociedade.

Trata-se de proporcionar não só uma atitude de carinho e de consolo, mas de realizar, com efetiva dedicação, uma obra de plena inserção no seu próprio meio desses nossos irmãos e irmãs em Cristo. O saudoso Papa João Paulo II, de venerável memória, houve por bem manifestar-se de modo clarividente ao assegurar que “a pessoa deficiente, também quando está ferida na mente ou nas suas capacidades sensitivas e intelectivas, é um sujeito plenamente humano, com os direitos sagrados e inalienáveis próprios de cada criatura humana. Com efeito, o ser humano (…) possui uma dignidade única e um valor singular desde o princípio da sua existência até o momento da morte natural” (Mensagem, 5/1/2004, n. 2). Tal é certeza desta verdade cristã, que se destina a enriquecer a nossa consciência e a valorizar a cultura da solidariedade.

Defender a vida, em todos os seus estágios, do início ao fim, é um direito e um dever de todos, que a Igreja jamais cessará de proclamar. Por sua vez, assumir a dignidade querida por Deus, que esta mesma vida comporta, exige atitudes de compromisso, por vezes heróicas, e dignas do prêmio eterno, não só por parte dos que padecem tais sofrimentos, mas também dos que atendem aos mais necessitados.

Por isso, o Sumo Pontífice exprime o Seu sincero louvor e agradecimento a todos os que se dedicam de corpo e alma a essa nobre causa, recordando, de modo especial, os pais e parentes dos que sofrem tais deficiências, bem como os organismos e as associações de voluntariado, que não se poupam em acolher tais pessoas com uma dedicação especializada.

A Quaresma, como época privilegiada de conversão e penitência, convida a considerar com renovada perspectiva o encontro purificador com Cristo a caminho da sua Paixão, Morte e gloriosa Ressurreição. Possa este tempo forte da liturgia eclesial servir de estímulo para incentivar a muitos a participarem do Banquete do Senhor em espírito de fraternidade e de paz.

Com estes votos, o Santo Padre, ao renovar os Seus sentimentos de viva cordialidade por toda querida Nação brasileira, concede, em sinal de sua benevolência, uma propiciadora Bênção Apostólica, extensiva às pessoas com deficiência e todas as entidades e pessoas individuais que as atendem”.

Sem mais, aproveito para reiterar-lhe os protestos da minha maior estima e consideração.