CF 2015

A Igreja recebeu de Jesus Cristo o mandato missionário: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado” (Mt 28,19-20). Essa é a sua vocação e a sua missão.

A Campanha da Fraternidade “Fraternidade: Igreja e Sociedade” deseja no tempo da quaresma recordar a vocação e a missão de todo o cristão, das nossas comunidades de fé.

As pessoas que vivem do Evangelho vivem na sociedade. A sociedade é formada por pessoas que convivem de forma organizada. A palavra latina societas recorda que sociedade pode significar associação amistosa com outros.

A palavra sociedade indica uma convivência e atividade conjunta de pessoas, ordenada ou organizada. A sociedade é um coletivo de cidadãos com leis e normas de conduta, organiza-dos por critérios, e com entidades que cuidam do bem-estar daqueles que convivem.

Na sociedade, no comum a todos, acontece a exclusão e a não participação de pessoas que a compõem. Vivem à margem da sociedade. O que, no entanto, caracteriza a sociedade é a partilha de interesses entre os membros e a preocupação com o que é comum.

O Concílio Ecumênico Vaticano II recordou que “para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus, revelou-nos Seu mistério e por Sua obediência realizou a redenção. A Igreja ou o Reino de Deus, já presente em mistério pelo poder de Deus, cresce visivelmente no mundo”. “O Senhor Jesus iniciou a sua Igreja pregando a boa-nova, isto é, o ad-vento do Reino de Deus (…). Este Reino mani-festou-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo”.

A Igreja, pelas “línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles” (At 2,3), formou a “Comunidade dos Santos”, a comunidade – como diz o Concílio Vaticano II – congregada daqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade”. Igreja comunidades, comunidade de comunidades! Igreja, os filhos e filhas de Deus que vivem da morte e ressurreição de Jesus, o novo Reino.

Ela “entra na história dos homens, enquanto simultaneamente transcende os tempos e os limites dos povos”. Igreja presente na realidade da humanidade; Igreja, os que creem vivendo “no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas”. Uma Igreja ativa na sociedade. Os que são Igreja, os filhos e filhas, são parte da sociedade, vivem a sua fé na sociedade. Testemunham os valores e deixam-se guiar pelos critérios do Evangelho.

Nesse sentido, a Comunidade dos fiéis, os cristãos, é uma Igreja “em saída”. Sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive o desejo de oferecer misericórdia. Como Jesus, que la-vou os pés aos seus discípulos, pondo-se de joelhos diante dos outros para lavar os pés, as-sim o cristão vai ao encontro das pessoas acolhendo-as nas dores e sofrimentos. Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária das pessoas, encurta as distâncias, abaixa-se e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Ela busca o contato com as famílias e com a vida do povo. Não deveria tornar-se uma estrutura complica-da, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos.

As comunidades de base e pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação são uma riqueza da Igreja, que o Espírito suscita para evangelizar todos os ambientes e setores.

A missão da Igreja de evangelizar passa pela caridade. A caridade é anúncio. “Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo aos pobres e aos doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, ‘àqueles que não têm com que te retribuir’ (Lc 14,14). Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, ‘os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho’, e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!”

Os cristãos são presença do Evangelho na sociedade. A Igreja reconhece a laicidade do Estado. Sabe e afirma que, como comunidade de fiéis, participa ativamente da vida da sociedade; dela faz parte e participa da construção da sociedade justa, fraterna e solidária, preservando-a de ser excludente.