Sejamos solidários!

27/03/2015

Por Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Iniciada na quarta-feira de cinzas, a Campanha da Fraternidade chega ao seu momento decisivo na Semana Santa. Depois disso, o tema continuará a orientar as ações da Igreja, mas sem o acento que lhe é dado durante o período da quaresma. Mal comparando, podemos dizer que a quaresma está para a Campanha da Fraternidade assim como o período de estudos na faculdade está para os profissionais que se formam. Ao concluir o período de estudos, o aluno coloca em prática o que aprendeu. Da mesma forma, ao concluir a quaresma, o cristão deverá vivenciar aquilo que refletiu sobre o tema da Campanha da Fraternidade. Assim como o profissional formado na Universidade deverá permanecer em contínua atualização, também o cristão deverá se conservar em permanente contato com a temática abordada. É por isso que costumamos dizer que “a Campanha da Fraternidade não termina com a Páscoa”.

Da reflexão e da oração da presente Campanha da Fraternidade, se espera que os cristãos católicos assumam nova postura diante da sociedade, comprometendo-se com “a edificação do Reino de Deus”, que implica no “diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade”. Se nenhuma ação concreta for levada a efeito ou se nenhuma mudança de mentalidade ocorrer, deveremos reconhecer que a campanha foi inútil, o que seria muito trágico para nossas comunidades.

Numa feliz coincidência, a Campanha da Fraternidade de 2015 aconteceu em sintonia com a campanha da Cáritas que propõe “pão e justiça para todas as pessoas”, afirmando que juntos formamos “uma só família humana”. Se somos uma família humana, o bem estar de cada pessoa deve ser nossa preocupação, e não podemos cruzar os braços diante das milhares de pessoas que passam fome, não tem o amparo em sua doença, são migrantes ou estão sem casa. O clamor do irmão que sofre deve mexer conosco e deve nos provocar à ação.

É por isso que, conforme diz o Texto Base, “a Campanha da Fraternidade se expressa concretamente pela oferta de doações em dinheiro na coleta da solidariedade. É um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. A Coleta da Solidariedade é parte integrante da Campanha da Fraternidade”.

Convido, pois, cada cristão que se sentiu tocado pelo convite à conversão no tempo da quaresma, a que faça a sua generosa doação, “oferecendo sua solidariedade em favor das pessoas, grupos e comunidades”. O conjunto das ofertas constituirá o Fundo de Solidariedade, cujos recursos serão usados para os projetos sociais da Igreja e para socorrer as vítimas de catástrofes, tais como enchentes, secas e epidemias.

Que Deus nos mova à solidariedade e nos impulsione à construção da fraternidade!