Sobre a Campanha da Fraternidade de 2015

08/03/2015

A Campanha da Fraternidade de 2015 traz o tema “Fraternidade: Igreja e sociedade”, com o lema “Eu vim para servir” (tirado do Evangelho de Marcos 10,45). A Igreja escolheu esse tema para comemorar os 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II.  As constituições Lumen Gentium e Gaudium et Spes falam da missão da Igreja no mundo. Mas o tema e o esforço da renovação da Igreja fazem parte da alma do Vaticano II: ele foi um concílio eminentemente eclesiológico. Cada concílio tratou de um aspecto da Igreja. O Vaticano II tratou da Igreja como um todo, na sua relação consigo mesma e com o mundo.

A Campanha da Fraternidade nasceu da renovação trazida pelo Concílio. Desde as primeiras campanhas, os temas foram sempre eclesiais. Mais tarde, uma mudança de rota deu a impressão de que a série de campanhas de temática social havia se esquecido dos temas eclesiais. Engana-se quem pensa assim! Os temas sociais manifestavam a compreensão que a Igreja tem de si como servidora da humanidade para a promoção da justiça do Reino de Deus. A Campanha de 2015 engloba as duas dimensões: Que Igreja queremos? Que sociedade queremos? Queremos uma Igreja a serviço de uma sociedade desejada por Cristo: justa, fraterna, solidária, com vida digna e em abundância para todos.

Quando João XXIII convocou o Vaticano II ele queria, na verdade, reaproximar a Igreja da sociedade. Tanto que, a partir Vaticano II, o modo de entender a Igreja suprime uma teologia fundada no direito, na hierarquia, na centralização e no poder, para buscar um novo jeito de pensar a Igreja. Ela deveria ter em si mesma o modelo do Mistério Trinitário de Deus, sempre dialogante com o mundo. Daí que entraram na agenda as preocupações com as situações concretas vividas pelo povos, a miséria, os direitos humanos, as ameaças de destruição, a corrida armamentista, a paz, o desenvolvimento dos povos, o acesso à cultura, à educação e aos benefícios do desenvolvimento, a opressão, o estabelecimento da justiça entre as nações e dentro delas.

Os objetivos da Campanha da Fraternidade correm nesses trilhos. Neste ano, o grande objetivo é este: aprofundar o diálogo e a colaboração entre Igreja e sociedade, propostos pelo Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus. Disso seguem os outros objetivos: identificar e compreender os desafios da situação atual; apresentar os valores espirituais do Reino de Deus como elementos humanizantes; aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, para superar a violência; buscar novos métodos, atitudes e linguagens para levar a boa-nova a cada um; atuar profeticamente pela opção preferencial pelos pobres, construindo uma vida justa e solidária.

Dom José Resende Dias, Arcebispo da Arquidiocese de Niterói